segunda-feira, 13 de julho de 2009

Bem mais do que a bola


“Futebol é mais do que a bola”. Ouvi essa frase numa propaganda na tv e fiquei pensado porque eu gosto tanto deste esporte. Gostar não, na verdade não gosto, eu amo! “Eu amo futebol”. Parando pra pensar assim é até estranho afirmar, pois amar, eu amo minha mãe, meu pai, minha irmã, minha vó, meus amigos e... o futebol.
Lembro que uma vez me disseram: que jogo mais idiota, um bando de homens correndo atrás de uma bola e quando a tem nos pés, tratam de chutá-la. Confesso que foi a definição mais absurda, no entanto, a mais detalhada sobre o que é o futebol. Cheguei a pensar que eu e outros tantos milhões de pessoas devemos ser completamente doidos por realmente gostar de ver 22 homens correndo atrás de uma bola pra depois chutá-la, mandá-la pra bem longe, mandá-la pra dentro das redes, e aí me lembrei porque gosto tanto deste esporte: o gol! Ah, o gol. Chega até a ser heresia escrever “gol” apenas, essa palavra deveria ser escrita assim “gooooooool”, com tantos “o”s fosse possível, porque pra quem ama futebol, assim como eu, não tem momento mais gostoso do que O GOL.
“Futebol é mais do que a bola”, e como é. Quando eu era pequena fui bailarina, nadadora, dancei street dance, até que descobri minha verdadeira paixão. Virei “boleira”. Não sei jogar. Minha habilidade com os pés ganha nota zero, mas por sorte, pra ser boleiro não precisa saber jogar. O único quesito necessário é a paixão e isso eu tenho de sobra. Paixão tamanha que virou amor.
Bem mais do que a bola. É bem verdade que ela é a estrela principal, é ela quem procuramos durante os 90 minutos de uma partida. Mas quem foi que disse que futebol se resume em 90 minutos?
Com minha mãe aprendi todas as regras. Sei o que é escanteio, impedimento, tiro de meta, lateral. Aprendi também as posições dos jogadores, sei a história do meu e de muitos outros times, sei o momento em que devo xingar o juiz, a hora de gritar “uhhh”, e aprendi direitinho que futebol é muito mais do que 90 minutos.
Muito mais do que a bola. Pra mim futebol é vestir a camisa do clube no dia seguinte a derrota; é acordar cedo na manhã depois da vitória pra comprar o jornal. Futebol é xingar o melhor amigo só porque ele torce pro time adversário, é abraçar desconhecido no estádio, é se arrepiar ao cantar o hino. Futebol é enfrentar horas de fila pra comprar ingresso e de bom humor; é acordar com enxaqueca porque seu time perdeu; é rir à toa porque ele ganhou. Futebol é ter camisa da sorte, poltrona da sorte, é fazer ritual antes da partida, é ter superstição, é fazer promessa.
Futebol é música, é dança, é samba, é palma, é grito, é xingamento, é ola, é pedir olé. Futebol é ídolo, é craque, é perna-de-pau, é zagueirão, é goleiraço, é frango, é gol de placa, é gol chorado. Futebol é eslástico, é lambreta, é passe de letra, é pedalada, é bicicleta, é caneta, é jogada ensaiada, é o feijão com arroz. Futebol é escudo no peito, é bandeira na mão, no carro, na janela, na mesinha do computador (olhei pra minha e lembrei).
Futebol é assistir a todas às mesas redondas antes e depois das partidas, é discutir com o motorista do ônibus, com o patrão ou com o jornaleiro se aquele lance foi ou não penalti, se o atacante estava ou não impedido e ter a certeza que o técnico do seu time é burro e fez a substituição errada. Futebol pra mim não são apenas 90 minutos, mas 365 dias por ano, com todos os minutos que tenho direito. E termino como comecei este texto: “Futebol é mais do que a bola”.


Dedico esta crônica a meu melhor amigo, André Luiz Barros, a quem um dia ainda convenço a virar "boleiro".

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Maldita mãozinha


Vai dizer que você nunca fez uma aposta consigo mesmo? Se muita gente responder que não, vou ter a certeza de que sou doida, mas acredito que a maioria das pessoas já fez isso.
Pois bem, como faço isso o tempo todo, a cada dia tenho um desafio novo pra mim. No entanto, tem um que se repete toda vez que preciso atravessar as quatro pistas da Avenida Presidente Vargas: ir de um lado ao outro antes da “mãozinha” aparecer. Isso mesmo. Sabe aquela mão em vermelho que aparece para avisar aos pedestres que o sinal vai fechar? Ela me deixa completamente doida. Eu nunca consegui chegar ao outro lado antes que ela começasse a piscar.
Coisa de maluco? Talvez. Só sei que eu levo muito a sério essa minha disputa com a maldita mãozinha. Passei um ano tendo que atravessar a Presidente Vargas pra chegar ao estágio e durante todo esse tempo ela parecia me desafiar.
Era o sinal ficar vermelho pra minha competição começar. O bonequinho verde amistoso aparecia e lá ia eu, concentrada no momento em que ele sairia de cena dando lugar a minha inimiga: a mãozinha. Eu não pensava em outra coisa toda vez que subia as escadas do metrô da Uruguaiana: hoje eu chego ao outro lado antes. Mas nunca consegui.
Minha necessidade de ganhar aquela disputa era tamanha que por vezes eu cheguei a dar uma corridinha. Mas havia muitos obstáculos no meu caminho. E nem eram pedras (antes fosse), eram pessoas mesmo. Sei que provavelmente ninguém ali tinha o mesmo objetivo que eu, mas todos, assim como eu, queriam de uma vez atravessar todas as pistas. E era isso o que me atrapalhava.
Como eu queria fazer todos sumirem dali e, por pelo menos uma vez, me deixarem atravessar sozinha. Ahhh, eu mostraria pra mãozinha que eu era mais rápida que ela. Ahhh, eu mostraria. Mas o contrário acontecia. Todos os dias, de segunda a sexta, sob chuva ou sol, véspera de feriado ou dia comum, estavam todos lá, me atrapalhando, ajudando-a a me vencer.
Confesso que em algumas ocasiões tentei trapacear. Meu plano era simples e na maioria das vezes infalível: eu descia da calçada com os carros ainda passando e quando o semáforo autorizava minha passagem, eu já estava alguns passoa à frente. Mas todas as vezes que cheguei ao outra lado desta forma, uma voz na minha cabeça me dizia “não valeu”. Houve vezes também que jogando limpo fiquei muito próxima da “vitória”, mas quando finalmente eu ia colocar o pé no meio-fio, lá vinha ela, debochada como sempre, piscando sem parar e parecia me dizer “eu sou mais rápida, otária”.
Sei que um ano se passou e eu não a venci. Nem sei se um dia eu vou conseguir. Na verdade não sei nem porque essas “derrotas” me incomodam tanto. Só sei que me sinto presa, parece que tiram meu direito de ir e vir, que aquela mãozinha piscando parece, na verdade, rir de mim.Mas deixo aqui registrado aqui, caso algum dia vocês virem uma pessoa comemorando na calçada da Avenida Presidente Vargas, é bem possível que seja eu, finalmente vitoriosa e satisfeita por ter vencido a maldita mãozinha.